Friday, June 30, 2017

Voltar à Santa Dica ::: Crônicas Pirenopolinas XIII



Os planos para Pirenópolis desta vez incluíam forçosamente visita a Lagolândia, onde reinou Benedita Cipriano Gomes, aka Santa Dica. Mas ars longa vita brevis, os dias são curtos, as distâncias longas e não quisemos abrir mão de molhar as almas no Rio das Almas, de modo que Lagolândia ficou para a próxima, junto a outros povoados e o mosteiro budista e a Fazenda Babilônia.

Mas retorno à Cervejaria Santa Dica, teve. A primeira visita à cervejaria foi registrada aqui, em postagem que, ao ser publicada na página oficial, teve repercussão para além do esperado. Na postagem prometia voltar. Viram?

Desta vez a fresquinha da teta da vaca era a adorável kolsch. A gente se empolgou tanto que virou curucucu.





Grajaú (alguma coisa)


Nova pequena série do Grajaú, figurinha fácil no blog, como atestam postagens como esta e esta. A maioria é foto de feira, como já fiz aqui e aqui












Lolipa : my sin, my soul



Quando estive no centro-oeste no começo do ano, provei da inesquecível Santa Dica (aqui) e da Colombina, esta de Goiânia. Quando volto no meio do ano descubro que Goiânia já tem a Seresta e a Lolipa, da Cervejaria Lola, esta com cinco tipos de lúpulos americanos, todos cítricos, um verdadeiro hop-burst. Como ter sede ao lado de Lolipa? Ter sede ao lado de Lolipa. Nem pensar em dormir.

Lolita, light of my life, fire of my loins. My sin, my soul. Lo-lee-ta: the tip of the tongue taking a trip of three steps down the palate to tap, at three, on the teeth. Lo. Lee. Ta. In my arms she was always Lolita.



Amo-te perdidamente :: Vinho Mariana


 Reencontro a angustiada e perdida de amor Mariana Alcoforado num rótulo de vinho. Conheci a freira graças à Bia Lessa, coisa de anos, e agora a reencontro em Pirenópolis em loja de dono português. Aliás, este me informou que cada rótulo traz, em seu verso, um trecho das cartas, das cinco cartas originalmente escritas em francês no século XVII pela sóror portuguesa para seu amado Noel Bouton de Chamilly, oficial do exército francês.

Isto é um perigo, porque faz coçar o instinto, dos mais baixos, de coleção e aqui no Grajaú já mal cabem livros e copos de cerveja e pratos da BL e camisas de futebol e discos.

A nossa garrafinha trazia: "Encontro-me dilacerada por mil movimentos contrários. Poder-se-á imaginar estado tão deplorável? Amo-te perdidamente", trecho da terceira carta. 

Pobre Mariana! Pudesse ao menos beber do excelente alentejano para aplacar um pouco tão deplorável estado.

Ou mandar o oficial à merda.


A Associação da Boa Lembrança



Colecionei avidamente os pratos da Boa Lembrança de 1999 até 2012, nos três últimos anos com mais obrigação que fervor, o que é ruim. De qualquer modo, uma parede da sala tornou-se quase parede de restaurante boa lembrança, com os divertidos pratos coloridos emoldurando uma quilt norte-americana. Com o fim desta parede e com o início da vita nuova com a Camila, achei / achamos não fazia sentido manter a coleção e, sim, começar nova. Afinal, ou se faz jus ao nome ou não. 

Mas na verdade eu já tinha brigado um pouco com a Associação da Boa Lembrança, ao perceber cada vez mais nitidamente que muitos restaurantes violavam (e violam) uma cláusula que deveria ser pétrea, ao cobrar a mais pelo prato especial. Reclamei em fóruns, escrevi para a associação, nada.

De qualquer modo, fiz as pazes, como em outras brigas (Dante, Camila, Beatles, Vasco, redes sociais, sociedade, eu mesmo). E parece até que Camila, que, ao contrário do escriba, não é de coleções, se empolgou um pedaço com esta, principalmente com a chegada do livrão do Anesio Fassina. Mas isso fica para outra postagem.




Thursday, June 29, 2017

Rimar Bonfim com Miguilim



Não sei se sabem, mas Bandeira, gozando de prestígio de poeta bem instalado na cidade das letras (Elizabeth Bishop tirava sarro disso) achava porque achava que o Rosa tinha que ser seu colega na ABL. Rosa não queria saber do chá das cinco e quando enfim cedeu, deu no que deu (aqui).

Mas nessas idas e vindas teve o cortejo poético do Manuel. Em 58 escreveu esta nonada:

Miguilim pediria a Rosa:

-- “Rosa, não seja ruim.
Faça a vontade do bardo,
Ainda que bardo chinfrim!”


E Manuel continuaria:

E eu secundo:  Mano Rosa,
Rosa, rosai, rosae, rosæ,
Vou aos meus dias pôr um fim.
Antes, porém, me prometa,
Pelo senhor do Bonfim,
Que à minha futura vaga
Você se apresenta, sim?
Muito saudar a Riobaldo,
Igualmente a Diadorim!

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Lembrei-me disso ao escrever a postagem do Senhor do Bonfim goiano (aqui). Não é todo dia se rima Bonfim com Miguilim. E ainda Diadorim e Riobaldo.

São Pedro Príncipe do Rio Comprido



Em uma cidade pródiga na destruição de seu patrimônio, amiúde levada a cabo por aqueles que por ele deveriam zelar, creio que ocupa lugar de destaque a destruição da Igreja de São Pedro dos Clérigos, em 1943, para a abertura da Presidente Vargas. (Bem, refiro-me aqui ao patrimônio construído; fosse levar em conta o natural e o humano, a devastação da Mata Atlântica e o extermínio das populações locais fazem o desmanche do Morro do Castelo e a destruição do Palácio Monroe parecerem brincadeira de dente-de-leite.)

O templo era um bem tombado, aliás, dos primeiros a serem tombados no país, com a fundação do Patrimônio em 1937, mas eram anos de Estado Novo.

Para além das talhas do Mestre Valentim, a igreja de 1733 era notável por sua planta elíptica, hoje só encontrada na maravilhosa Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, em Ouro Preto. O templo era um bem tombado, mas eram anos de ditadura. Apesar da defesa apaixonada de Rodrigo Melo Franco de Andrade, apesar mesmo de um projeto que pretendia transplantar a igreja, em sua inteireza, para outro sítio, foi posta abaixo com mais outras três (ou quatro?) e hoje é apenas uma fotografia no Google.

Para "substituí-la", construiu-se a Igreja de São Pedro Príncipe dos Apóstolos no Rio Comprido. Não tem culpa de nada ela, e é mesmo muito bonita em meio ao céu azul de junho. E a imagem do orago no altar-mor, bem como outra de mármore logo à entrada do lado direito, a porta talhada e seu umbral -- tudo isso pertencia à velha construção setecentista. Uma maneira de perpetuar talvez.







Wednesday, June 28, 2017

Crônicas Pirenopolinas XII ::: A Igreja do Bonfim



Chega-se a ela por duas ruas: a da Aurora e a do Bonfim e o mais conveniente será sempre subir por uma e descer por outra, de preferência depois de marejar os olhos no pôr do sol. Por ela nutro carinho todo especial e uma como que compulsão por fotografá-la sempre. Lembra a Matriz do Rosário, que está abaixo, mas também em colina, mas de menores proporções. Tem pintura no forro da nave, cousa rara em Goiás e hoje talvez única, depois que a do Rosário pegou fogo. Rosas, anjos e nuvens, o Senhor do Bonfim, também presente na maravilhosa imagem mandada trazer da Bahia, dos 1700. Não é pouco.

Querida pela comunidade, que a ela acorre para pedir bênção antes da Festa do Divino e antes de viagens e casamentos.

No transepto esquerdo, uma imagem antiga de roca do Senhor dos Passo. No direito, uma imagem meio modernosa do Divino. Inexplicavelmente, me ajoelhei e rezei, eu que nunca faço isso.

O altar, ao qual subimos, tem proteção, como que um para-vento, com pintura original. Sensacional.










Ganhei um quebra-cabeça (chamado Dante)



Ganhei um quebra-cabeça
chamado Dante
nada mais apropriado
afinal monto-o todo dia
nem sempre com sucesso
tanta vez o sino da igreja
com rigor a hora anuncia
e faltam peças tantas peças
ficam só sem companhia
há tempo já eu escrevia :
por quantas vezes estendi as mãos
em direção àquilo que eu sabia
não poder encontrar

olhos baços
em permanente atrito a dislalia

mas hoje o quebra-cabeça
é todo ele alegria
o quebra-cabeça é presente
recebido em sincronia


A montagem é relativamente fácil, eu que há tanto tempo não fazia isso. Talvez tenha-me valido de técnica aprendida em um programa que só passava nas madrugadas do Zoo Moo, eu que antes os montava aleatoriamente. A técnica: começar pelos extremos. O rosto vai se formando, não sem erros. Enquanto me pergunto se vale a pena um retrato cubista, sigo encontrando o Pico do Perdido ao fundo, a tela de proteção, o rosto do pequeno. Termino. Quero chorar. Falta ainda coisa pra montar, há ainda buraquinhos, mas isto é porque estava o Dante banguela. 














Crônicas Pirenopolinas XI :: A Alvorada em PB



Alguns poucos registros em pb da alvorada de que tratei aqui. Fotos escuras e com pouca definição, mas uma e outra podem vir a lembrar o trabalho de Eric Licen (aqui).

E a que botei aí em cima como eu queria que lembrasse o Sebastião Salgado de 1980 em Mixes, povo musical do México. Até onde um Nokia pode querer lembrar uma Leica.